A biju veste você

Uma regra básica de moda deveria ser esta: não importa o que se veste; jamais se deve esquecer os acessórios. Além de contribuir para um visual mais bonito, os acessórios podem definir e revelar um estilo. E entre tantas coisas que caem bem com um figurino, as bijuterias têm o poder de realçar a marca pessoal de quem as usa.

O melhor é que não há ditadura para a escolha da peça certa. Vale apostar, por exemplo, na geometria dos círculos em pingentes, nas peças oversize – são a bola da vez –, como o colar compridão de elos retangulares com pingente gigante de cristal. Outras escolhas certeiras são as bijus produzidas com elementos naturais, como pedras, muranos e capim-dourado.

A consultora de moda e estilo, Cristina Morais, ressalta que toda mulher deve investir em bons acessórios. “A biju valoriza a roupa e transforma um look básico em um visual especial”, ressalta. O segredo, segundo ela, é saber escolher. Mas há pelo menos uma recomendação: material plástico só pode ser usado por mulheres de até 25 anos. Após essa idade, são autorizadas apenas as pedras, cerâmicas, madeiras, resinas.

De acordo com Cristina, o colar, por exemplo, tem que ter peso (tamanho e proporcionalidade). “No geral, a escolha deve ser feita segundo o estilo de cada um. Existem pessoas que carregam bem uma biju grande; outras combinam com peças pequenas. O ideal é ter bom senso”, diz.

A consultora alerta que não se deve utilizar bijuterias de materiais diferentes em uma mesma composição. “Não se mistura, por exemplo, um colar de contas com brinco de strass. É um ou outro”, orienta. Segundo ela, ainda é necessário observar o horário de uso para escolher determinada peça. Enquanto um colar de pérolas fica superbonito sobre uma camiseta branca, não se deve abusar do brilho durante o dia, explica. “Um brinquinho de strass é até permitido. Mas a regra de que até as 18h não se toma uísque, também é válida para as bijus com muito brilho”, compara.

Inspiração que vem da natureza

Pedras e sementes brasileiras, murano e cristal são materiais usados na confecção de algumas peças. Pelas mãos da psicóloga Ana Cristina Rizzo, sementes de açaí, pau-brasil e gergelim, além de madeira e capim-dourado, transformam-se em colares, brincos e pulseiras que incrementam qualquer visual, do descolado ao tradicional.

“Faço pesquisa para saber a tendência e depois crio e produzo peças exclusivas”, diz ela, que trabalha há sete anos com bijuterias. Sua produção média é de 700 peças por mês.

“Também observo o que meus clientes gostam. Vejo que a preferência recai sobre as peças produzidas com sementes e pedras, principalmente, quando o destino delas é o Exterior”, afirma. Para ampliar os conhecimentos sobre o trabalho que desenvolve, Ana Cristina também cursa algumas matérias no curso de Artes Plásticas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Produção em larga escala não é a proposta de Daina Harpek. A artesã confecciona poucas peças justamente para que a cliente possa identificar o seu estilo. “Apesar de estudar a tendência, ao escolher o colar ou a pulseira, a cliente revela o seu gosto pessoal. Um tecido transforma uma pulseira comum em algo especial”, diz a artesã, que também trabalha com tear.

A bijuteria, segundo ela, complementa o traje. “Se você escolher um colar com argolas encapadas com linha dourada, por exemplo, a mesma roupa que usou durante o dia, vai tranqüilamente para uma festa. As mulheres que ainda não despertaram para isso não sabem o que estão perdendo. A biju veste você”, completa.

Os colares com pingentes em cristais de vidro tcheco estão entre as preferências femininas, observa a artesã Yrê Vasconcelos. “Os pingentes são grandes, no formato pontiagudo ou gota, e atende ao gosto de qualquer mulher. As mais discretas escolhem vidro transparente e as mais ousadas, os coloridos”, diferencia. “Virou febre”.

História

As bijuterias surgiram em 1929, durante a grande depressão norte-americana, como alternativa à jóia. Logo conquistou seu espaço graças à versatilidade e à variedade dos materiais trabalhados que, não impondo limites à criatividade, adaptavam-se à moda e às tendências. A criação das peças é considerada um ramo da ourivesaria, que trabalha com ligas de metais que imitam o ouro e a prata, e com pedras semipreciosas ou similares de gemas (vidro, plástico etc.).

Idade pesa na escolha

Ao escolher uma biju, afirma a consultora de moda, Cristina Morais, deve-se observar se está de acordo com a idade, o tipo físico e o horário em que será usada. Quem tem pescoço curto não deve colocar gargantilha. Da mesma forma, dedos grossos exigem cuidado na escolha de anéis.

Por: Rose Guglielminetti / Revista Metrópole

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