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Estilistas de peso como Christian Lacroix defendem algodão orgânico |
Em sua quarta edição, a Esthetica reúne marcas com preocupações éticas e ecológicas, como por exemplo, estilistas que usam materiais reciclados, fibras orgânicas e cultivadas de forma sustentável ou que produzem suas coleções garantindo condições justas a trabalhadores e fornecedores.
As questões ligadas à pegada ecológica deixada pela indústria da moda nunca estiveram mais em debate na Grã-Bretanha.
Durante os últimos anos, as britânicas aproveitaram as coleções com preços extremamente baixos lançadas por supermercados e cadeias de lojas populares e tendências foram lançadas e saíram de moda em tempo recorde, criando o fenômeno batizado de “moda descartável”.
Mas as revistas especializadas, que há alguns anos celebravam os preços baixos, agora prevêem o retorno de um consumismo mais consciente das implicações ecológicas e sociais de roupas produzidas principalmente no sudeste asiático sob condições nem sempre éticas.
Marcas estabelecidas
Dentro desse clima, a quarta edição da Esthetica é a maior já realizada, com 27 marcas, entre elas as já estabelecidas Noir, Katharine Hamnett e People Tree.
O fato de a feira acontecer dentro da sede da Semana de Moda de Londres – por onde passam algumas das editoras de moda mais influentes do planeta – mostra que a moda ética já deixou para trás o estereótipo de peças feitas de tecidos grosseiros, que pinicam.
As marcas expostas na Esthetica combinam entre si diferentes tipos de tecidos, técnicas avançadas de produção e uma variada amostra de estilos.
Uma das atrações é a marca de tênis Veja, uma empresa francesa que usa materiais brasileiros.
Os sapatos são produzidos em Porto Alegre usando algodão orgânico produzido em pequenas cooperativas no Ceará. A borracha para os solados vem de seringueiros da região amazônica.
“Além de ajudar a comunidade, esta é uma forma de evitar o desmatamento, já que o fornecimento do látex para nossos sapatos representa uma forma alternativa de renda para os seringueiros da região”, disse à BBC Brasil Aurélie Dumont, coordenadora de comunicação da Veja.
Segundo ela, a empresa decidiu manter toda a sua linha de produção no Brasil por causa da enorme riqueza de recursos naturais do país, e também para evitar o transporte desnecessário de matéria-prima de um continente para o outro.
Preocupações sociais
Além das preocupações ecológicas, algumas marcas que expõe na Esthetica também trabalham para melhorar as condições sociais de comunidades pobres.
Um exemplo de sucesso é a Nahui Ollin, uma marca que produz bolsas feitas de papel de bala reciclado e conta com centenas de pontos de venda espalhados pelo mundo. As bolsas são produzidas há três anos nos arredores da Cidade do México, usando técnicas mexicanas.
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Bolsas usam embalagens de bala recicladas |
“Nós treinamos mulheres de oito comunidades para que utilizem essas técnicas, e elas usam embalagens de bala com defeitos, fornecidas pelas fábricas, que seriam jogadas no lixo”, diz o vice-presidente da marca, Danny Bitran.
A Esthetica também reflete o fato de que a questão ambiental está extrapolando o universo das organizações não-governamentais, e angariando apoio dos grandes nomes do mundo da moda.
É o caso da campanha “Escolha seu Algodão com Cuidado”, que conta com um estande na feira.
Para a campanha, organizada pela Fundação para Justiça Ambiental, estilistas de peso como Christian Lacroix, Luella Bartley e Betty Jackson criaram camisetas exclusivas, que foram então fotografadas em modelos conhecidas como Irina Lazareanmu, Coco Rocha e a brasileira Caroline Trentini


