“O mar quando quebra na praia é bonito…” Dorival Caymmi compôs esses versos há 70 anos. Ninguém podia imaginar que, no século 21, nós estaríamos às voltas com o aquecimento global e o mar não estaria mais para peixe. Anualmente, são lançados 7 bilhões de toneladas de dejetos nos mares do planeta: três vezes mais do que o volume de peixes fisgados. A maior parte desse lixo é plástico, resíduos deixados por banhistas na areia ou simplesmente descartados na água por tripulantes de barcos.
Parece óbvio, mas é preciso dizer: o mar não é lata de lixo! Os oceanos cobrem 71% do planeta, abrigam milhares de espécies vegetais e animais, são fonte de alimento, sal, sustento, via de transporte. E, o mais importante: eles são responsáveis pela produção de 50% do oxigênio que consumimos. Portanto, cuidar da praia é tarefa urgente, como alertam nossos entrevistados: Leonardo Roig, oceanógrafo, doutor em ecologia e recursos naturais e professor da Univali, Itajaí (SC); Leandra Gonçalves, bióloga e coordenadora da campanha Entre Nessa Onda, do Greenpeace (SP); e Patricia Palumbo, apresentadora do programa Planeta Eldorado, que mistura música e meio ambiente, da Rádio Eldorado FM, em São Paulo, e finalista do Prêmio Claudia 2008. Patricia é de São Sebastião, litoral paulista, onde construiu uma casa ecológica. Siga os conselhos do nosso guia e dê um banho de elegância na praia.
SELEÇÃO NATURAL
Na hora de escolher a sua hospedagem de verão, prefira pousadas pequenas, que causam menos impacto ambiental, e informe-se se há rede de esgoto e coleta de lixo na região – o que demonstra que o turismo é sustentável. Na Europa, os guias já trazem uma indicação dos hotéis verdes. Ainda não temos isso no Brasil, mas aqui existem muitas praias preservadas. É um bom sinal, por exemplo, que lugares como a Ilha do Mel (PR) e Fernando de Noronha (PE) limitem o número de visitantes.
CASA DE VERANEIO
Não importa se você está passando férias em imóvel próprio ou alugado: tome duchas rápidas, organize a lavagem da louça e não lave calçadas. Água é ouro no planeta, não desperdice. Muitas cidades praianas já contam com reciclagem: informe-se sobre as coletas e separe o seu lixo.
ALÔ, FUMANTES
As bitucas de cigarro demoram até cinco anos para se decompor e não podem ser jogadas na areia. A maioria das pessoas não sabe, mas a areia é viva, formada por vários micro-organismos e fragmentos de conchas, moluscos, crustáceos. Na Austrália, país pioneiro na limpeza de praias, é proibido pitar na areia. Convenhamos: não custa nada o fumante juntar as guimbas e colocá-las no lixo.
BOM APETITE!
Escolha as barracas onde vai consumir petiscos e cerveja. Veja como as garrafas e o lixo são descartados, se algum detrito é jogado na areia. São sinais de que a higiene geral está comprometida, aumentando muito o risco de intoxicação.
MARÉ BOA
Evite comer sushis e outros pratos com atum – essa espécie está ameaçada de extinção.
E só peça camarão, lagosta, siri e caranguejo quando tiver certeza de que vêm da pesca artesanal. A maior parte deles é resultado da pesca predatória, que já ameaça 80% do estoque pesqueiro do Brasil. Recuse-se a participar desse crime contra a vida.
FAROFA CHIQUE
Com cadeiras e guarda-sol de tecido (que refletem menos e dão uma sombra mais gostosa), você pode levar, sim, o seu isopor com bebidas e lanchinhos. Desde que, no fim do dia, recolha todo o seu lixo. Nunca deixe rastros na praia!
RELAXE
Chegou ao litoral? Deixe o carro na garagem. Ande a pé ou de bicicleta. Observe a paisagem e entre em outra sintonia. Senão, de que adianta ter saído da cidade grande? Na areia, fuja da aglomeração em volta das barracas, experimente escolher um canto sossegado para sentir o mar. Calma e tranquilidade são virtudes em extinção. Cultive-as.
SALVE OS PEIXES
Você acha que salvar tartarugas, golfinhos e peixes é coisa para militantes? Nada disso. O jeito mais fácil de defender a vida deles é recolher os plásticos durante as caminhadas à beira-mar. Quando a maré sobe, leva os plásticos para a água e centenas de animais morrem sufocados ao engolir sacolas plásticas ou garrafas PET porque confundem esse material com águas-vivas, seu alimento. Além do mais, os peixes que devoram plástico são contaminados com metais pesados e intoxicam quem os come.
PARAÍSO PÚBLICO
Praia é espaço democrático: as boas maneiras precisam preservar o ambiente e também a relação com as pessoas. Jamais ligue o som alto, isso desrespeita quem quer sossego. Não jogue bolinha com raquetes perto de crianças e no meio do bochicho. Pode machucar alguém. E simplifique: nada de malas abarrotadas no verão. O barato da viagem é ir mais leve. Compre o peixe do pescador, vá à quitanda e ao mercadinho. Assim você consome tudo mais fresco e ainda ajuda a economia do local.
CUIDE DAS CONCHAS
Esqueça aquela antiga brincadeira de catar conchinhas. Ensine as crianças a observá-las, tocá-las e deixá-las na areia, seu hábitat natural. Nada deve ser retirado da praia, pois cada fragmento do ecossistema tem função. Também não vale comprar artesanato com conchas (de nenhum tipo), caramujos ou estrelas-do-mar. Eles são seres vivos, e esse tipo de consumo desencadeia a coleta predatória.
ÁGUA DOCE
Se resolver tomar banho de rio ou cachoeira, não leve sabonete ou xampu, isso polui. Tire só o sal do corpo e aplique os produtos em casa, pois a água que escoa pelo ralo será tratada.
PROTETOR X CORAIS
Ninguém deve deixar de passar protetor solar, mas quem for para praias com concentração de corais deve tomar uma ducha antes de entrar no mar e, depois, repassar o produto. O acúmulo de resíduos químicos deteriora essas formações, que são os berçários da fauna marinha. Elas ficam esbranquiçadas e acabam morrendo.
Por: Por Liliane Oraggio/Revista Claudia/Planeta Sustentável

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