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A nova moda

Saiba como fazer escolhas conscientes: descubra maneiras de reaproveitar suas roupas e cubra-se de atitude

 

Estilistas, fashionistas e especialistas de todo o globo apontam a última tendência da moda: a ausência de tendências. É que não houve nenhuma época como esta, onde você tem tudo-ao-mesmo-tempo-agora no quesito estilo de roupas – basta sair nas ruas para comprovar. Modelitos de outras épocas misturam-se a novos tecidos, cortes, modismos. Estabelecer um padrão virou demodê. Mesmo que a cada temporada algumas peças fiquem em evidência, o mercado do vestuário, em constante renovação, faz com que seja impossível seguir modelos como antigamente. Mais do que nunca, a moda é uma forma de expressão individual. E a indústria fashion, que dita os costumes, começa a buscar refências naquilo que as pessoas comuns estão usando. Não é para menos que o blog de moda mais cool do momento é o do publicitário americano Scott Schuman. Ele trabalhou por 15 anos com moda e percebeu um descompasso entre o que vendia e o que as pessoas usavam na vida real. Passou a fotografar o que americanos, italianos e franceses vestem no dia-a-dia, deixando as fotos comentadas em seu blog. “Vejo pessoas nas ruas com estilo próprio e acho mais inspiradores e interessantes que os modelos dos desfiles”, diz ele, que mantém o blog “The Sartorialist” na rede. Se dentro da gama do que é oferecido nas lojas você faz um recorte e escolhe aquilo que o representa, a moda ganha um sentido maior. “O estilo é uma escolha pessoal. A moda passa. O estilo permanece”, afirma Glória Kalil em seu livro “Chic – Um Guia Básico de Moda e Estilo”. A consultora de moda diz que estilo é aquilo que respeita sua personalidade. É o seu modo de dizer ao mundo “eu sou singular”, mesmo quando a roupa é necessária para mostrar que você faz parte de um grupo. E diz mais: quem tem estilo adota uma atitude sustentável, porque faz escolhas de forma consciente e não se deixa virar escravo da moda. Parece brincadeira de criança: as opções são muitas, mas é você quem faz a sua moda. Divirta-se!

 

 

Por Márcia Bindo para Planeta Sustentável
Revista Vida Simples - 08/2007

‘Roupas éticas’ ganham espaço na Semana de Moda de Londres

Em sua quinta edição, a Esthetica, a feira de “moda ética” que acompanha a Semana de Moda de Londres, tenta ignorar o clima geral de pessimismo econômico causado pela crise nos mercados financeiros mundiais.

Expositores ouvidos pela BBC Brasil manifestaram otimismo quanto às oportunidades de negócios e garantiram que há grande interesse de compradores e da imprensa no setor.

A Esthetica, que até agora só é realizada em Londres, deverá passar a ser organizada também em outras semanas de moda.

Segundo o jornal The Daily, que circula durante o evento londrino, o Conselho de Moda Britânico está em negociações com Nova York e Milão para levar a feira para as duas cidades.

Tendência

Em Londres, a nova edição do evento foi a maior até hoje, com 15 novos expositores, que elevaram o número de marcas presentes para 35.

A moda considerada ética privilegia roupas feitas em condições dignas de trabalho, e com a utilização de tecidos e métodos de produção que respeitem o meio ambiente.

“A busca pela moda ética e ecologicamente correta está crescendo mesmo com a crise, à medida que os consumidores europeus decidem fazer escolhas mais informadas na hora de comprar”, diz a agente Zuleika Carier, que representa marcas com preocupação ética.

Os fabricantes apostam na tendência, apontada pela mídia especializada, de que com a crise econômica os consumidores estão preferindo comprar peças mais caras e bem produzidas, que duram mais, ao invés de adquirir roupas baratas, produzidas em condições duvidosas, com vida curta e que, por isso, acabam não sendo um bom negócio nem para o bolso nem para a consciência.

Carier garante que a moda ética vem atraindo cada vez mais público. “A moda ética definitivamente é mais popular hoje em dia, é a área da moda que cresce mesmo com a crise econômica mundial”, afirma.

Qualidade

Para a estilista Julia Smith, que apresentou suas peças na Esthetica, outra razão para o aumento do interesse em roupas éticas é a melhora da qualidade de tecidos e modelagens.

Smith, por exemplo, produz suas peças com delicado algodão orgânico e outras fibras naturais, e usa forros estampados feitos por uma cooperativa de mulheres em Gana, chamada Global Mammas.

“As pessoas querem comprar um vestido legal, não necessariamente só porque é ético, mas porque é bonito”, disse. “As marcas consideradas éticas estão começando a derrubar os estereótipos e a atender essa demanda.”

A empresa Amazon Life acompanhou esse pulo de qualidade nos materiais brasileiros que usa para produzir bolsas e acessórios, como borracha, lona de cânhamo, lona de caminhão e até uniformes reciclados do Exército brasileiro.

“Há alguns anos, os acessórios feitos de lona de caminhão reciclada, por exemplo, tinham uma consistência muito grosseira, que incomodava os consumidores”, diz Lígia Feichas, da empresa brasileira Suriana, que representa a Amazon Life.

Recentemente, no entanto, a tecnologia de tratamento deste tipo de material avançou muito, resultando em um produto mais delicado.

Brasileiros

As mudanças agradaram os consumidores europeus, e a empresa ampliou suas coleções para incluir novos materiais e produtos.

Mas, se a Europa está cada vez mais receptiva para a moda ética, o mercado no Brasil ainda está engatinhando, segundo Feichas.

“Os produtos feitos de forma ética e sustentável ainda são mais caros, e para o consumidor brasileiro muitas vezes o preço é crucial”, diz Lígia, lembrando que o ponto de venda que a Amazon Life tinha no Rio de Janeiro era freqüentado principalmente por turistas.

Segundo expositores ouvidos pela BBC Brasil na Esthetica, o caminho para que as preocupações éticas deixem de ocupar um nicho do mercado e passem a dominar a produção de moda é investir ainda mais em qualidade, pressionar governos para que endureçam suas legislações de combate a produtos cin substâncias que façam mal à saúde ou que agridam o meio ambiente e a continuidade da conscientização dos consumidores. 

 

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A Moda Verde

Por: Almira Martins
Especialista em Cultura de Moda – Universidade Anhembi Morumbi/SP

O Verde é a cor da moda. Assim como ele, também estão na ordem do dia, os azuis dos mares e rios, os marrons e beges dos sítios arqueológicos e a cartela multicolorida encontrada apenas na natureza preservada.

Para reafirmar a importância da “moda verde”, Nova York acolheu o Fórum de Desenvolvimento Sustentável 2007, promovido por um grupo de empresários brasileiros, em final de abril. O desafio continua em encontrar soluções que alinhem as expectativas humanas à preservação ambiental. O discurso é antigo, porém requer atitudes concretas para surtir efeitos positivos. Como não poderia deixar de ser, o Brasil e sobretudo a Amazônia, são pontos chaves para tais avanços. A exploração racional da floresta, a implantação de programas que privilegiem os eco-combustíveis e geração de energia limpa, são questões complexas, porém primordiais a um futuro seguro.

“Eco-qualquer-coisa”, desenvolvimento sustentável, cotas de carbono e afins, serve de mote para muitos encontros, palestras e discursos em prol de um planeta saudável e, sobretudo, viável. O importante é entender, no entanto, que apenas ações efetivas serão capazes de mudar paradigmas já estabelecidos. Não adianta se dizer adepto da ecologia e desperdiçar água e energia elétrica, jogar lixo na via pública, ou utilizar meios de transporte de forma irracional. Ser “verde” é uma questão de atitude.

É notório que a Moda é uma das molas propulsoras de desenvolvimento e gera mudanças de comportamento no sujeito. Questões relativas ao consumo, porém, são bastante complexas, pois passam por estudos de mercados, identidades culturais e tantos outros pontos-chave próprios da contemporaneidade. No entanto é evidente que uma tendência de comportamento vem se firmando neste século: a Moda Verde. A indústria mostra sérias preocupações em desenvolver produtos sustentáveis que respeitem o homem e o planeta. As empresas de tecido e cosmético, prioritariamente, focam seu objetivo em um mercado consciente que tende a crescer e dominar as preferências do “consumidor XXI”, por uma simples questão de sobrevivência. É claro que utilizam o eco-marketing de forma eficientíssima em busca de expansão de seus lucros, porém são atores importantes para a construção de uma nova cultura material.

Os tecidos em fibras de bambu, são um claro exemplo de produto eco-sustentável. Espalham-se pelo mundo como uma alternativa aos sintéticos. Confortáveis, versáteis e ambientalmente corretos, fazem a festa de fashion designers e consumidores “verdes”. Lançado em fevereiro de 2006, no evento mais importante para a indústria da moda, o Première Vision/ Paris, o Tessu Bamboo, é proveniente de matéria prima renovável, que não carece de pesticidas e, conseqüentemente, não danifica a natureza. Leve, confortável, versátil e com custos fabris equivalentes aos do algodão, é uma alternativa aos que querem abandonar os sintéticos derivados de petróleo em favor  de opções que valorizam e protegem o planeta. Não apenas o bambu, mas uma gama de matérias primas orgânicas já fazem parte do cenário fashion desfilando em bolsas, calçados, acessórios, decoração e indústria automobilística. Os consumidores mais bem informados e realmente comprometidos com as causas ambientais, preferem lonas aos plásticos, gemas orgânicas a metais, salvar o planeta a destruí-lo.

A Amazônia, celeiro de tantos bens materiais e imaterias. Fonte de inspiração e prospecção para os mundos da arte e da ciência, urge tornar-se partícipe deste movimento que está nas questões centrais dos interesses da humanidade. No entanto, a efetivação da sustentabilidade ambiental passa necessariamente por investimentos em educação e pesquisas, que venham ao encontro às aspirações do amazônida.

Por fim, a idéia de consumo-consciente pode até demorar um pouco a “virar moda” e dominar todas as classes sociais, porém a tendência é irreversível, uma vez que mercados importantes como China e Europa já movimentam muitos bilhões de dólares e euros com as fibras bio-degradáveis.

Enquanto a Superterra ainda estiver a 20 anos-luz daqui, é melhor cuidarmos desta Terra que nos foi dada de presente, mas que no entanto, não estamos sabendo valorizar.