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Movimento Verão 2009

Grife de moda praia mostra boa coleção com ênfase no biquini e muita inovação na modelagem

A Movimento mostrou uma coleção bastante colorida e vibrante, com muitas propostas de acessórios e novos estilos de biquini. Poucos maiôs fazem parte desta série, criada pela estilista Tininha da Fonte. A inspiração desta vez foi o universo selvagem personificado por mulheres fortes e guerreiras. E foi bem assim o desfile, principalmente a abertura com quatro modelos negras e o cenário, criado por Clésio Régis. Ecologicamente correta a ambientação foi feita com troncos de árvore recobertos artesanalmente com casca de madeira sustentável, formando um belo mosaico.

Estampas étnicas ou orgânicas, com folhas, camuflados e a animais. Na questão cores a paleta usada foi de verde folha, roxo açaí, vermelho fogo e amarelo ouro em contraste com tons neutros como preto, marrom, branco e bege.

A estilista tentou invovar no exíguo biquini com drapeados, bordados, apliques e cortes diferentes no sutiâ com faixas, triângulos e alças largas. A parte de baixo vem reta em tamanhos e modelagens diversas ou seja, há uma quantidade de modelos enorme.

Como complemento a estilista apresentou vestidos amplos e longos e também os curtinhos, além de shorts, macaquinhos, bermudas e calças em looks que uniram o urbano ao “off road”.

Os tecidos utilizados são da mais nova tecnologia para conferir conforto. São tecidos como stretch com elastano, algodão de fio egípcio, seda pura e jersey com elastano.

 

Por Beth Ferreira

 

 

 

 

 

 

A fraude das fibras têxteis de bambu

Todos os tipos de “tecido de bambu” são uma fraude, pois não podem ser feitos de uma fibra natural de bambu, conforme será explicado mais adiante.

As 1.300 espécies de bambu existentes no mundo são constituídas de fibras de celulose (como qualquer planta), além de lignina, hemiceluloses, amido e sílica. As fibras de celulose são minúsculas e tem tamanhos diferentes e o seu formato lembra uma pequena mangueira, pois são ocas e tem em média um comprimento de 2 a 3 milímetros e a largura destas fibras é ainda 100 vezes menor. Só dá para ver em microscópio.

Qualquer fio têxtil, seja ele natural ou artificial, precisa ter um comprimento mínimo de 30 milímetros. Os fios fabricados, por exemplo, pela TENBRO têm comprimentos de 38 mm, 51 mm, 76 mm e 86 mm, conforme indicado no site deles (www.tenbro.com). Ou seja, estes fios têm comprimento de 10 a 30 vezes maior do que uma fibra natural de celulose de bambu. Não existe maneira de emendar as fibras de bambu para elas adquirirem o tamanho necessário para um fio têxtil.

Todos os tipos de “tecido de bambu” usam um fio têxtil chamado de viscose. Também a TENBRO menciona este nome, assim como a Malharia Marles, a Döhler, a Zorba e tantas outras empresas e marcas. Ninguém esconde o fato de que se trata de fios de viscose.

Mas, no que consiste então a fraude? Acontece que a fibra de viscose é uma fibra artificial, obtida por um processo químico inventado há mais de 100 anos e que usa um produto altamente tóxico chamado de dissulfeto de carbono. Este produto reage com qualquer fibra natural de celulose e desmancha estas fibras, transformando as mesmas em uma massa plástica, parecida com o nylon. Depois ela é processada numa máquina extrusora, que transforma a massa plástica em fios contínuos, que depois são cortados nos tamanhos adequados para fios têxteis. Qualquer fibra de celulose pode ser usada para fabricar a viscose, portanto podem ser fibras de árvores, ou de arbustos, ou de resíduos agrícolas (como palha de trigo, de milho, ou de arroz), mas também pode ser qualquer fibra de celulose de bambu.

Um fio de viscose tem sempre as mesmas características físicas e químicas, independente do tipo de fibra natural de celulose que lhe deu origem. Portanto um fio de viscose de eucalipto é exatamente igual a um fio de viscose de palha de trigo e também é igual a um fio de viscose de bambu.

Então a fraude consiste no seguinte: na China a viscose em geral é feita de bambu, que para eles é uma matéria-prima abundante e barata. Como o processo de fabricação da viscose é poluidor, nos últimos 50 anos diminuiu muito a produção mundial e hoje o setor de viscose é dominado pelos países asiáticos, que pagam salários baixos e não se importam com poluição industrial.

Como no mundo inteiro o bambu goza de uma reputação de produto natural e ecológico (com toda razão, por sinal), algum comerciante inescrupuloso teve a infeliz idéia de divulgar os tecidos feitos de viscose como sendo feitos de fibra de bambu, escondendo a informação de que depois de transformada em viscose a fibra nada mais tem a ver com bambu. Na verdade, ao comprar um tecido de viscose, é impossível saber qual foi a fibra de celulose usada em sua fabricação. E também, mesmo que pudéssemos descobrir a fibra de origem, isto em nada mudaria as características da viscose, que é artificial e poluidora e não natural e ecológica.

Hans-Jürgen Kleine tem experiência de mais de 30 anos em fábricas de celulose e papel, nas áreas de controle de qualidade, segurança e meio ambiente, bem como em fábrica de viscose. Atualmente dedica-se ao desenvolvimento da cadeia produtiva do bambu, através da Associação Catarinense do Bambu, conhecida como BambuSC e com sede em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Fui o fundador desta entidade em 2005.

Hans-Jürgen Kleine
BambuSC – Florianópolis

MODA E ECOLOGIA JUNTOS, LANÇANDO ROUPAS CONSCIENTES

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Look Original Truck – a grife produz, desde 1997, roupas e acessórios com materiais reutilizados, como lona de caminhão.

 

Tendência lá fora, principalmente nos países da Europa, agora a moda e o meio ambiente caminham de mãos dadas -e muito felizes, por sinal – também na América Latina. Cada vez mais o respeito pelo meio ambiente torna-se algo essencial para qualquer ser humano que se julga “bom”. E, mais do que na hora, antes mesmo de evitar o caos e um impacto ecológico de força maior – visto que a ação do homem até agora apenas acelerou o processo de destruição do meio ambiente – a moda resolveu agir para combater essa situação.

Na Itália, por exemplo, roupas feitas com fibras naturais e materiais reciclados ganham terreno na grife Giorgio Armani e ajudam a propagar essa tendência “ecofashion”. A estilista Stella MacCartney é outra que tem na consciência ecológica um dos pontos fortes de suas coleções. Tecidos naturais e orgânicos, linhas totalmente ecológicas e por aí vai.

A utilização de fibras e tintas naturais e a reciclagem de roupas e objetos usados constituem, portanto, a base da moda ecológica, que agora tem como hit a confecção de roupas orgânicas, ou seja, aquelas que não levam tecidos em cuja produção são usados produtos químicos, nem fertilizantes, nem pesticidas.

Apesar de tudo, a moda em alguns países como os Estados Unidos e a Alemanha ainda enfrenta obstáculos para se tornar, digamos, mais consciente e preocupada com as questões ambientais. Isso porque é difícil e um tanto quanto arriscado mexer em um mercado que gera quase US$ 70 milhões ao ano.

Na Itália, onde tudo já está mais avançado, podemos ver a produção de jeans “ecologicamente corretos”, feitos com algodão orgânico. Outras grifes famosas internacionais vendidas na Itália, com Levi Strauss, Gap, Nike ou Marks & Spencer, também ajudam a construir um guarda roupa ecológico com peças especiais como ponchos feitos com fibra de soja, trajes elaborados com embalagens de ovos ou calças fabricadas a partir de algas. Alternativo, não?

Alguns estudiosos da moda afirmam que essa tendência ecológica já esteve em alta nos anos 80, mas fazia um estilo mais “pobre” ou “hippie”. Hoje em dia, esse conceito cai por água abaixo e, a “ecomoda” ressurge como algo totalmente repaginado, moderno, cult, correto e fashion, acima de tudo, com exibições nas maiores capitais da moda -Londres, Nova York e Milão, além de Brasil.

Por que a necessidade de conscientizar a moda?

Parece brincadeira ou invenção maluca dos fashionistas, mas não é. Pare e pense um pouco. Do que são feitas a maioria das nossas roupas? Sim, de algodão. Ele é o carro-chefe dos materiais usados na indústria têxtil. Porém, segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente existem no mundo entre 500 mil e dois milhões de vítimas de intoxicações agroquímicas, sendo que um terço delas é de cultivadores de algodão.

A moda ecológica, portanto, repudia os tecidos que levaram em sua produção algum tipo de material ou produto químico, o que evitaria, portanto, essas intoxicações agroquímicas.

Outro ponto em questão é sobre a reciclagem, vista pela “ecomoda” como proteção ao meio ambiente e também como promoção da economia nas grandes empresas e recuperação dos materiais nos países em desenvolvimento. Em Milão, por exemplo, o Instituto Europeu de Desenho reutiliza materiais e consegue inovar e criar saias de peças de aço, vestidos de fio elétrico ou de papel de embalagem, e calças de metal de bicicleta.

Aqui no Brasil…

Recentemente, a moda ecológica aqui no Brasil invadiu as passarelas desse São Paulo Fashion Week. No desfile do ilustre Alexandre Herchcovitch, o látex extraído por seringueiros na Amazônia foi o destaque. O material foi desenvolvido pela Universidade de Brasília com o apoio do Ibama. O projeto envolve a extração responsável do látex, ou seja, sem danos árvore e à natureza e estimulando o trabalho em família, preocupando-se também com a questão social. Fause Haten, Reinaldo Lourenço e Glória Coelho também seguiram a linha “ecofashion” e, em parcerias do bem, também criaram tecidos ambientalmente responsáveis.

O que já existe por aí?

A moda ecológica, além de criativa, também é muito rápida. Se procurar direito, você já vai poder encontrar calçados e artigos de vestuário, bolsas, malas e mochilas e até bijuterias e acessórios confeccionados com “consciência”.

Vale a pena ressaltar que o preço das peças não costuma ser barato, visto que a linha de produção passa, então, a ser mais artesanal, cuidadosa e também mais estudada. As peças ecológicas, portanto, possuem um valor agregado, que é justamente a valorização do conceito ambiental.

É aquela história: o preço é alto, mas pelo menos você não está pagando o dono da agência de publicidade, nem o diretor de criação da marca e muito menos o cachê da celebridade que aparece na campanha. Desse jeito dá até orgulho estar na moda, não?

O meio ambiente agradece seu gosto pelo fashion!

Fonte: http://cristianaarcangeli.terra.com.br/site/moda.